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19 de diciembre de 2016

palavra que você ouve sem engenhoca




























DESCRESCIMIENTO LINGÜÍSTICO






“Pénses que ao caír a lingua cai tamén a vida galega. E sin teimar ninguna frase heroica, atendendo ao mandado da conciencia histórica, podemos asegurar ser mellor unha Galicia pobre falando galego que unha Galicia rica usando outra lingua”. Deste disparo de Otero Pedraio contra o utilitarismo já nâo fica nem o eco. Este, o utilitarismo, parece-se cada vez mais a um totalitarismo que vai desterrando do real todo o que nâo rende lucros.

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A ideia de limite, isso que G. M. Foster chama imagen do bem limitado, é uma ideia central nas sociedades camponesas: Posto que os bens sâo limitados, ou bem cooperamos ou repartimos, ou bem para que uns sejam ricos outros terâo, necesariamente, de ser pobres.
Arsenio Iglesias, que sempre se caracterizou pola sua sabedoria popular, tantas vezes ridicularizada pola imprensa española, costumava responder assim quando um futebolista se queixava de jogar poucos minutos: “Mui bem, pois que diga que companheiro quer que retiremos para pô-lo a ele”. Cada vez que ouço cousas como “vantagem competitiva” vem-me Arsenio à cabeça, preguntando quem sâo as pobres miseráveis que têm que perder para que nós ganemos.

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Em Minho há uma comuna zapatista em expansâo, que inclui crianças, cavalos comedores de maçâs e um dos pinheiros mais grandes do país. Tampouco gostam de “vantagens competitivas”; preferem falar de línguae em mâo común. Con materiais de Carlos Lenkersdorf estâo-me a dar un curso de língua tojolabal, infraestructura gramatical da revoluçâo zapatista. Uma das primeiras liçôes é uma reivindicaçâo da lógica cooperativista face à competitiva: “o tojolabal carece de comparativo de desigualdade que, em español, se exprime polo giro más… que. Prevalece em tojolobal, no entanto, o comparativo de igualdade, que se forma por expressôes correspondentes a igual a, ser como, etcétera”. Isto, evidentemente, impossibilita o tojolabal para ser uma grande língua internacional; tambén o habilitou para imaginar um dos experimentos políticos mais maravilhosos do nosso tempo.

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Carlos Lenkersdorf, como tantos outros antropólogos, conheceu a gente tojolobal trabalhando de mestre. Assim, numa escolinha andina, preparou o galego Xosé Ramón Mariño Ferro a sua tese sobre a cultura quíchua.
Conta Lenkersdorf uma episódio bem relevante: quando a rapaziada tinha algum exame, o natural para eles era resolverem entre todos, cooperativamente, os problemas que se lhe punham. Outro antropólogo, Harry Wolcott, experimentou o mesmo como mestre duma comunidade Kwakiult na América do Norte: era impossível que os rapazes assumissem a lógica individualista ocidental, uma e outra vez resolviam os problemas escolares ajudando-se, desafiando o basilar principio de individualidade do nosso sistema escolar, pensando para a competitividade.
Em 1966, Dom Milani, crego e mestre duma paróquia em Barbiana del Mergello, nos Apeninos toscanos, publica com os seus rapazes a revolucionária Lettere a una professoressa. Um dos nenos refletia nela sobre os seus progresos: “Por exemplo aprendim que o problema dos outros é igual ao meu. Examinar-se todos juntos é política, examinar-se sós é avareza. Nos exames tinha a vontade de mandar ao demo os pequenos e estudar só para mim”. A “horda dourada” italiana estaba a estudar tojolabal; o que chegou despois é historia.

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Nos antípodes do típico antropólogo colonial, Mariño Ferro viveu entre o povo quíchua como um labrego galego, debatendo, sacho em mâo, sobre os jeitos de cultivar pataca na Galiza e em Bolívia. Os paisanos falavam-lhe da chegada do escaravelho à pataca com avionetas, tal como contam os velhos de Loureda: Na aldeia trasmontana de Rio de Onor o escaravelho aterrou em 1944 mas, orgulha-se o etnógrafo Jorge Dias, a Praga foi tratada com muita mais eficacia do que em outras zonas: a vizinhança, como quando vinha o lume ou um novo imposto do Estado, convocou o concelho aberto para aplicar a melhor tecnología jamais inventada: a ajuda mútua.

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Carlos Calvo Varela
diarios
ATRAVÉS editora









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Errados já dende fai dous séculos a pretendida “iluminación”, equivaléu a destrucción dunha filosofía natural da humanidade, ademáis do possível curruncho de conciencia, de clase proletaria, ou de simple conciencia do idioma que se fala. Cando a “iluminación” sempre existiu nos convivios orgánicos. Carlos C. Varela achéganos a sabedoría colectivizante da igualdade, mirando de esguello o escravo mundo atual. No cal medios de desinformación como la coz de Asturias fala dos presos de Villabona-Llanera. Eiquí vai un ocultamento das calamitosas vivencias que sofren moitos presos e presas na cárcere…. [[Oscurantismo Las familias de estos dos internos langreanos han contactado con la Asociación de Parados del Valle del Nalón. Su portavoz, Héctor Palacio, ha asumido sus casos como algo propio y ha empezado a movilizar a otras familias de internos para denunciar públicamente su situación. «Van ya muchos muertos e intoxicaciones y esto no puede seguir así. Vamos a denunciar todos los casos para que se investigue a fondo. Primero con la denuncia social y luego con movilizaciones. Hay mucho oscurantismo en Villabona», destaca.]] Vamos. ¿Non hai jà entóm comités pro-presos…?

aquí enlace. Quizás é moito pedir e ocupar espazo de investigación¿?, e cobrir lá no Ciclo de la Palabra del Niemeyer, a intervenção do pequeno¿?burgués A.Pérez-Reverte.

A terra é cruelmente simplificada. A diversa raigamen producíbel da terra conversa en algo mínimo, mesquinho, em resumo; precisa necessidades do governo. De atitude colonialista e ambigua liberdade. ¿Obscurantista? ¿Qué decir? Tan pechados estamos que nom sentimos o ar que rodea a nossa existencia, porèn o fogar non se quenta jà co lume maternal da madeira. Agora, nossa terra, véndese por masa forestal. Cando falo da nossa terra falo da Galiza e do mundo enteiro. As xerarquías adxudicadas  natureza son efectos dunha dominación vindeira do helenismo judeocristianismo e todo ‘ismo’ feito obra da ciencia ou da técnica. Hegel rematóu, remontóu, todo ‘ismo’, inclusibel Marx jà lúcidamente rematara cos ‘ismos’.  natureza, é a vida maila norte. A ciencia, convertiuse en outro ‘ismo’. Creer, creer ou non na ciencia ou en deus non é máis que domesticarse en arranxos instrumentalistas, sen imaxinación, nen sensibilidade. Resumo de claudicar ética social por ciencia/technè social. As xentes que usan os idealismos por redención, non o fan máis que por egotismo. A idea ou o concepto de “ben limitado” non penetra nas nosas mentes expostas e propostas á eternitude vixía, consumo. Inoculando o desexo de transformar a personalidade, de un, dos demáis. Represión sensitiva. Agora, non quixera distraervos máis, quizáis pedirvos que leerades máis escritos de Carlos. Ou, escrivir vos, unha cartiña á Carlos là na Villabona.


 
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26 de noviembre de 2015

encontros



Aquí dejo dos fragmentos si las velocidades os permiten deteneros aquí. Demorar la desaparición resultado del entrevero, in-tentar atravesar los márgenes. Qué pobreza la de un recuadro! Qué fragilidad! No bien es cierto que estos dos fragmentos de Carlos están entre esas “tomas” que amo, pues son fruto del acto de andar, de un espacio a pie de casa. Dentro de un rato en la facultad de filosofía será una presentación del libro. De momento, ralentizo la lectura, resido en cada hoja, y os invito a quedar.








CARLOS C. VARELA
DIARIOS

ATRAVÉS
                                                                                                                 editora



O SORRISO DAS ÁRBORES

“IAGO: Dende a ventá da miña cela vese unha chaira e
catro arboriñas solitarias. Son tan pequechas e enxumidas
que máis ben semellan matogueiras. (… ) aquela chaira
interminábel e estraña”.
Roberto Vidal Bolaño, Rastros

“… está falta de árvores e cheia de
homens maus e vicosos…”
Códice Calistino


Com a náusea, Ronquentin angustia-se perante a contingencia da materialidade, mas cuando se sobrepõe, é o sorriso das árvores o que o resgata: “Ergui-me, saí. Ao chegar à cerca, volvi-me. Então o jardín sorriu- me (…) O sorriso das árvores, do maciço de loureiro quería dizer algo; aquele era o verdadeiro segredo da existencia. Recordei que num domingo, não há mais de três semanas, tinha captado nas cousas uma espécie de ar de cumplicidade… “. A mesma cumplicidade de que falam em To the lighthouse as personagens de Virginia Wolf? “Tornava-se curioso, pensou, como, quando alguém estaba sozinho, se apoiava nas cousas, nas cousas inanimadas; árvores, ríos, flores; sentía que davam expressão ao sei propio ser, que se convertiam nele, que o conheciam; que em certa maneira, eran ele, e sentía desse modo a mesma ternura irracional polas cousas (contemplo o longo lampejo luminoso) que por um mesmo”.

Como habitar um lugar sem árvores? Um não-lugar sem árvores, mesmo se não houver muros.

Conheci o Buba no ventre da Audiência Nacional. Fazia un frio do demo. Com umas mantas nojentas remoinhamonos como pudemos na mazmorra. Como dous tuaregues, mas num azul podre. O Buba é da GUiné-Bissau, e amigo da conversa. Falou-me fascinado do seu país, “o mais bonito do mundo”. embora estripado pola maldita guerra. Perguntou.me polo meu, e ainda bem não lhe explicara e já entenderá tudo: “Ah! Bem sei, bem sei.. A Galiza é como Porto ou Braga, não é? Eu estive por lá. É um país verde e com árvores… Espanha não. Espanha é um país triste de árvores tristes”.




formiga gabeadora d'árvore das namoradas
















ENXERTO

Escribir para nom falar e quedar afónico
precisar a prótese
de ter que falar.













"A porta da música" ao fundo







ERÓTICA E POLÍTICA DA ERVA

Cunqueiro adianta-se, nas São Lucas de Mondonhedo, a toda a literatura dos aromas posterior. Não com elogios do almíscar ou canela, mas da vulgar erva camponesa, leito dos amores labregos. Cunqueiro descreve o mercado da erva das San Lucas como a geografía dos odores: “quando fica desperta a pracinha, noite já, ouve-se cair a áuga na fonte e aspira-se o fino e fresco odor da amargosa; assim deven cheirar as fadas dos campos, as infanas de Irlanda e da Bretanha, as horas da alva nos prados húmidos de orvalho”. Da amargosa (Anthexanthum odoratum) e festucas e glicinas faria Dom Álvaro, “se fosse perfumista em Paris”, pinguinhas dum perfume “tão carnal e tão alegre”, que apenas destinaria à mais amada mulher. Como um senhorito tímido numa vila tomada polos labregos, Cunqueiro aguarda que a multidâo se dissolva para apanhar, tímido, um feixinho de ervas. “Não é como passear, claro está, com Julieta, mas sim é passear com o odor de Julieta”.

Também os Tristão e Iseu de Béroul procuram a molicie perfumada da erva. Iseu insiste em atapetar o leito “com copioso erva”. De volta com o rei de Cornualha, dentro do Castelo, Tristão “viu a estância, que estaba atapetada de verdor”, nostalgia perfumada de Morrois. Dom Dinis e Dom Joâo I conheciam a história, mas do Tristâo e Iseu galego-portugués apenas conservamos quatro lais limiares no Cancioneiro Colocci-Brancuti, sem rastro de erva. Em todo o caso, na invençâo céltica do amor aparece a erva, a mesma erva camponesa do nosso romanceiro popular, e que escandaliza o padre Posse. Um dos primeiros en propor uma República Galega, independente e de vocaçâo atlántica, o padre Posse, era também um cruzado contra a “lascivia mais implica” do agro galego. Num etardecer, quando o religioso passa em diligência por algum ponto entre Corunha e Santiago, encontra-se com uma cena herbal que o escandaliza: estaba uma moça pastando bois num prado que tinha loureiros e salgueiros. Não longe dela ceifava erva, acocorado, um joven (…) A moça foi detrás e deu-lhe um empurrão, fazendo-o cair de bruços. Ele ergueu-se para ceifar a erva. Estas tentativas repetiram-se três ou quatro vezes. No último empurrão seguiu-a a serio, e ela escapava, volvendo-se para ele, incitando-o com as mâos e fingindo que fugia, defendendo-se, até que se meteram entre as árvores,
onde deixei de os ver …


Mas toda erótica implica uma política, e a política da erva é uma aposta deleuziana contra a filosofía arborescente e o bosque de Heidegger, tão caro ao pinheirismo. “A erva” –escreve Henry Miller em Hamlet– “só se dá no meio dos grandes espaços nâo cultivados. Preenche os vazios, cresce entre / no meio das outras cousas. A flor é Formosa; a berça, útil; a dormideira enlouquece. Mas a erva, a erva é o transbordamento, toda uma liçâo de moral”.


O bosque galego esvaece e seria de néscios parar-nos a inventar serras enquanto as árvores caem. Em todo caso, se calhar ese ponto de intensidade na ética a que chamamos Galiza nâo volte como bosque. Se está a renascer, a sobreviver, é como erva, como contágio nas margems, emergindo entre: A erva da insurreição que vem.








POST-SCRIPTUM´
Es una aberración imaginar por un instante pertenecer a la mentira, esta mentira, enquistada por el desarrollo. La verdad como dice el filósofo es una necesidad constitutiva del hombre. Si, entendemos como natural “hombre” como carencia, herida, lengua. Sencillamente por ese motivo me gustaría regalarle alguna de estas fotografías a Carlos C. Varela allá en su séptima estância penitenciaria. Creo que se les impide ver grabaciones, reproducciones, pues están “presos” a presenciar la reproducción de la represión para, supuestamente, hacer valer el control penal. La inmovilización. Ellos, los Yomismos. En el poema Ceremonia tras un Bombardeo de Dylan Thomas Myselves / The grievers / Grieve / Among the Street burned to tireless death / A child of a few hours / With its kneading mouth / Charred on the black breast of the grave / The mother dug, and its arms full of fires. / Yomismos / Os esmendralladores / esmendrellan / entre as ruas que queimaram de morte infatigável / O rapaz de cativas horas / De amassada boca / Peito negro carbonizado sepulcral / Que a mãe cavou, e cheios de chamas os braços. / Beging / With singing / Sing ….           ….y así sucedió. 
La canción sonó. Y ya no cabe más vuelta. Hacerla re-sonar. Traer desde las profundidades de esta república judicial impuesta por el desarrollismo “ingenioso” alguna de sus des-ramificaciones. *
/* aquí enlace blog persoal da rede, DE VOLTA PARA LOUREDA

Y aquí también podeis acceder a la entrada publicada hace justo un año aquí en el ccRider con otro texto, otro texto de Carlos, y cada texto a su vez, poliedro.
- Agradezco a los viandantes su visita y atención -


 

Queridos Riders

on the road


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